Seminário Negócios de Impacto Social e Ambiental Painel: ‘O impacto que a favela causa é um negócio!’

Criado por Juliana Oliveira   |  Publicado em 15-11-2018

Seminário Negócios de Impacto Social e Ambiental  Painel:  ‘O impacto que a favela causa é um negócio!’

A terceira edição do Seminário Negócios de Impacto Social e Ambiental, realizado pelo Sebrae/RJ em parceria com o grupo Rio de Impacto, em outubro deste ano, reuniu empreendedores, investidores, estudantes, docentes e representantes de redes empresariais. O objetivo principal foi abordar, de forma inspiradora e dinâmica, os principais desafios para os empreendedores que buscam aliar lucro ao benefício da sociedade.

O segundo painel do evento, moderado por Valéria Barros, trouxe luz ao tema ‘O impacto que a favela causa é um negócio!’, buscando debater os desafios e oportunidades de quem ousa empreender nas comunidades cariocas. Para falar sobre o tema, foram convidados Camila Siqueira, CEO e fundadora da IMPACTO; Elvis Póvoas, da FavImóveis; Samuel Silva, da Net Rocinha; e Gustavo Venâncio, criador do Corte do Jacá.

De acordo com Camila Siqueira, a IMPACTO é uma rede de conexões entre pessoas que desejam oferecer conhecimento, tempo, recursos ou habilidades a projetos de impacto real e mensurável com o objetivo de fortalecê-los e impulsioná-los, promovendo um match social.

“Imagine que todas as ferramentas necessárias para solucionar os principais problemas da nossa vida já estão disponíveis: pessoas, dinheiro, tecnologias, conhecimento etc. O papel da IMPACTO é fazer a conexão entre todos esses recursos para buscar uma solução, diminuindo as barreiras da cidade e conectando as pessoas a oportunidades”, explicou Camila.

Foi pensando também em levar soluções para a população das periferias do Rio de Janeiro que Elvis Póvoa criou a FavImóveis, um site de anúncios de compra e venda de imóveis focado nas favelas.

“Para desenvolver a startup, eu precisei participar de inúmeros programas. A Shell Iniciativa Jovem, por exemplo, me ajudou imensamente com mentorias, ideias e apoio. Hoje já atendemos 10 bairros e temos mais de seis mil acessos mensais”, relatou Elvis, que foi selecionado recentemente para participar do Shark Tank, programa de televisão no qual pequenos inventores e empreendedores têm a chance de apresentar suas ideias e produtos para um painel de milionários em busca de novos investimentos, na esperança de transformar suas criações em impérios lucrativos.

Quem também participou de competições e pode construir um nome de sucesso no setor foi o barbeiro e empreendedor Gustavo Venâncio. Campeão da ‘Batalha dos Barbeiros’, entre os melhores colocados do ‘The Best Barber Brasil’ e considerado um ‘caso de sucesso’ pelo Sebrae/RJ, o morador do Jacarezinho, além de um excepcional barbeiro, também criou uma escola para profissionalizar os jovens do bairro.

“Os meninos queriam aprender, seja porque eram recém-saídos da cadeia e precisavam trabalhar ou porque queriam encontrar uma carreira para não precisar voltar à criminalidade. Como não tínhamos recursos, fui ensinando aos poucos a fazerem as coisas mais básicas para começarem a ganhar dinheiro e, a partir daí, fomos crescendo. Foi onde o Sebrae/RJ entrou, me auxiliando a dar um upgrade na minha loja e na escolinha, que hoje tem aproximadamente 60 alunos”, contou Gustavo, acrescentando que o grupo visita hospitais e presídios para ensinar a profissão a quem realmente precisa.

É unanimidade: para alcançar o desenvolvimento do negócio, é necessário conexão – seja ela humana ou digital. E quem está levando conexão e conectividade às favelas cariocas é o empresário Samuel Silva. Criador da Net Rocinha, e hoje conselheiro da ABRINT (Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações), ele levou internet banda larga de fibra ótica para o morro quando os principais provedores não atendiam a região.

“Eu trabalhava como mototaxista e fazia manutenção em computadores, atendendo em domicílio na zona sul da cidade. Percebi a necessidade de instalar internet na Rocinha, onde eu nasci e vivo até hoje. As grandes operadoras não entravam lá”, explicou Samuel. No entanto, legalizar o negócio não foi tarefa fácil. “Trabalhei na informalidade e associando-me a outras empresas. Mas depois busquei a formalização e, com o auxílio de inúmeras conexões, o negócio tem só crescido. Além de fornecer para novos provedores de internet na Rocinha, prestamos ainda consultoria para ajudá-los a crescer”, destacou. Durante a conversa, chegou-se ao consenso que as favelas fluminenses estão conectadas por meio de suas necessidades e também através do trabalho.

O Rio de Impacto é formado pelo Sebrae/RJ, NESst, Sitawi, Yunus Negócios Sociais, Universidade Santa Úrsula, Benfeitoria, ESPM, Instituto Gênesis (PUC-Rio), Sistema B, Alerj, Vox Capital e Shell Iniciativa Jovem.

Crédito foto: arquivo Sebrae RJ