Seminário Negócios de Impacto Social e Ambiental | Painel ‘Essa tecnologia é para mim?’

Criado por Juliana Oliveira   |  Publicado em 09-11-2018

Seminário Negócios de Impacto Social e Ambiental | Painel ‘Essa tecnologia é para mim?’

A terceira edição do Seminário Negócios de Impacto Social e Ambiental, realizado pelo Sebrae/RJ em parceria com o grupo Rio de Impacto, reuniu – em outubro – aproximadamente 120 pessoas, entre empreendedores, investidores, estudantes, docentes e representantes de redes empresariais. O objetivo principal foi abordar, de forma inspiradora e dinâmica, os principais desafios para os empreendedores que buscam aliar lucro ao benefício da sociedade.

Neste contexto, com a moderação de Thiago Rosas, o primeiro painel do evento trouxe as empreendedoras Joyce Lemos, do Welight; Paula Pedroza, da Audima; e Juliana Brito, da Workay, para debater o tema ‘Essa tecnologia é para mim?’. Cada uma a seu jeito, as três empresárias têm obtido êxito em fazer uso das novas tecnologias em favor do lucro e do impacto social.

Com o lema ‘Adicione amor às suas compras online’, o Welight une marcas famosas de lojas de bens de consumo e organizações sociais confiáveis em prol de uma nova atitude: comprar e ajudar o próximo. A plataforma virtual, hoje disponível para smartphones Android e iOS, permite que o usuário realize suas compras online, com a garantia de que parte do valor pago por produtos será revertido em doações para ONGs de sua escolha. E a melhor parte: sem custos extras para o consumidor.

“Nossa intenção foi criar um produto escalável e que solucionasse um problema social. Observamos que, mesmo com a crise, o setor de e-commerce não perdia força. O objetivo, então, foi descobrir como aproveitar uma fatia deste mercado, que já movimentava bilhões de reais, para investir em negócios de impacto. Aliamos este sonho à necessidade de promover o consumo consciente. Já que sabemos que as pessoas irão consumir, por que não fazer com que este ato gere também um impacto positivo?”, revelou Joyce, sócia da empresa.

Já a Audima fez o caminho oposto. De acordo com a co-fundadora, Paula Pedroza, a empresa, focada no business to business, seguia uma tendência do mercado, cada vez mais adepto aos conteúdos em áudio (como audiobooks e podcasts), quando percebeu a existência de uma dor: a falta de acesso de pessoas com deficiencia visual, analfabetos, semi-analfabetos e analfabetos funcionais aos conteúdos online. Foi então que a equipe decidiu adaptar suas atividades para atender esta demanda, transformando seu produto em uma solução para que sites transformem seu conteúdo em áudio.

“A causa nos encontrou. Para chegarmos ao ponto de gerar impacto com o áudio, coube a nós entender e aprender sobre problemas dos quais não sabíamos nada, como a deficiência visual. Nas ferramentas disponíveis anteriormente, o usuário acabava sendo bombardeado por informações presentes no site que não faziam sentido, como o código de banners, anúncios e imagens que não condizem com o conteúdo. Era uma experiência terrível. Então, para oferecer uma solução de verdade, nós limpamos o código, de forma que o usuário receba apenas o áudio daquilo que é do seu interesse no site”, disse Pedroza.

Um tipo diferente de experiência proporcionado pela tecnologia foi explorado pelos fundadores da Workay. Inspirando-se em modelos consagrados como o Uber e o Airbnb, a plataforma une clientes em busca de pequenas e médias reformas a prestadores de serviço. O grande diferencial, no entanto, e que garante à Workay a categoria de negócio de impacto, está em sua rede de prestadores parceiros, predominantemente composta por mulheres e membros das classes C, D e E.

“Damos especial atenção a parceiras mulheres e pessoas em necessidade, contribuindo assim para o desenvolvimento de uma sociedade mais justa. Nós cuidamos da gestão administrativa da obra e escolhemos o profissional que melhor atende às necessidades do cliente. Muitas vezes o que você precisa não é o melhor eletricista do mundo, mas um excepcional trocador de tomadas – o que gera oportunidade para aquele prestador que não tem a melhor capacitação, mas faz o trabalho muito bem e tem a necessidade de prover sua família”, destacou Juliana Brito, CEO e co-fundadora da Workway, que oferece ainda capacitação para todos os seus parceiros.

Questionadas sobre a baixa presença de mulheres no setor tecnológico (menos de 20%), a resposta foi unânime: é necessário que as empresas incluam em seus pipelines políticas de inclusão e igualdade. “O mercado da tecnologia é mais machista que capitalista, porque já é de conhecimento geral que diversidade é lucrativo. Pouca diversidade significa pouca criatividade, o que faz o sistema perder energia”, opinou Joyce.

De acordo com Juliana, entretanto, há também de se mudar o discurso que é usado dentro das famílias para definir atividades masculinas e femininas. “Pessoalmente, eu sempre prosperei em tópicos e atividades que eram consideradas ‘de menino’. Isso nunca me abalou, mas eu testemunhei amigas deixando de lado um grande potencial para se forçarem a seguir um padrão. Acredito que essa mudança também vem de casa, quando forçamos crianças em moldes de gênero e, muitas vezes, sem perceber, apagamos um potencial que poderia mudar o mundo”, defendeu.

“Precisamos também levar em conta que uma startup de tecnologia é muito mais que a própria tecnologia. A mulher é excelente para este desafio de gerir um negócio, independente do ramo. Somos criativas, multitarefas, empreendedoras incríveis quando sabemos do que somos capazes, quando nos sentimos autorizadas a realizar. Essa sensação de pertencimento é o maior desafio: saber que empreender é para a gente sim!”, finalizou Paula.

O Rio de Impacto é formado pelo Sebrae/RJ, NESst, Sitawi, Yunus Negócios Sociais, Universidade Santa Úrsula, Benfeitoria, ESPM, Instituto Gênesis (PUC-Rio), Sistema B, Alerj, Vox Capital e Shell Iniciativa Jovem.

Para mais informações sobre as empresas participantes do painel:

Welight: https://welight.co/

Audima: https://audima.co/

Workay: https://workay.com.br/

Foto: Divulgação / Sebrae RJ