Seminário Negócios de Impacto 2018 | Como a alimentação saudável chegou à favela

Criado por Juliana Oliveira   |  Publicado em 01-11-2018

Seminário Negócios de Impacto 2018 | Como a alimentação saudável chegou à favela

O 3º Seminário Negócios de Impacto Social e Ambiental, realizado pelo SEBRAE/RJ em parceria com o grupo Rio de Impacto, no Rio de Janeiro, reuniu inúmeros empreendedores sociais de diversos setores. Na abertura do evento, promovido no dia 18 de outubro, no CRAB (Centro Sebrae de Referência do Artesanato Brasileiro), a designer pernambucana Isabela Ribeiro, sócia-fundadora do Saladorama, contou aos participantes sobre a história da empresa de delivery, que leva alimentação saudável às periferias brasileiras.

Segundo ela, tudo começou quando o idealizador do projeto, Hamilton Henrique, morador da periferia de Niterói, conseguiu um emprego na Zona Sul do Rio. Ele começou a identificar diferenças nos hábitos alimentares e padrões de consumo das diferentes classes sociais com as quais convivia.

“No restaurante do trabalho, o Hamilton teve acesso a alimentos orgânicos e substituições que promoviam a saúde, como a lasanha de berinjela, por exemplo. Aos poucos, ele começou a gostar dos pratos e observar as melhorias que a nova alimentação fazia em sua vida. Assim veio o questionamento de o porquê tal alimentação não era difundida também nas comunidades”, contou Isabela.

Uma vez identificado o problema da falta de acesso à alimentação saudável nos ambientes periféricos, em meados de 2014, Hamilton decidiu desenvolver uma iniciativa que democratizasse a alimentação e garantisse à toda população o acesso a produtos de qualidade.

“70% das causas de mortes evitáveis no Brasil, hoje, são relacionadas a problemas de saúde ligados à alimentação, como diabetes e hipertensão. Observamos que a maioria desses casos estava nas favelas, onde a população, além de não ter condições de adquirir alimentos saudáveis de qualidade, também ainda não tinha uma cultura que ligava a alimentação à manutenção da saúde. Nosso desafio foi, então, mudar os hábitos das comunidades que tentamos atingir, promovendo uma sensação de pertencimento”, explicou a empresária, destacando que, quanto maior é a situação de vulnerabilidade de uma região, maiores são os índices de obesidade entre os moradores do local.

De acordo com Isabela, a Saladorama não apenas oferece delivery de saladas orgânicas a preços justos, mas o faz empregando pessoas que moram nas comunidades carentes da cidade. Os funcionários, em sua maioria mulheres, passam por um processo de capacitação de quatro meses, que ensina desde os cuidados com os alimentos, como corte e higienização, até noções de gerenciamento do negócio, para que elas sejam capazes de empreender também.

A Saladorama contou a aceleração da Yunus Negócios Sociais Brasil. Em outubro de 2014, eles foram selecionados para o processo. Durante três meses, receberam assessoria para criarem o modelo de negócio e, enfim, começarem a operar. Em janeiro de 2015, venderam a primeira salada. Com R$ 300 reais investidos pelos próprios sócios e o valor inestimável de uma rede de entusiastas que se formava, a operação teve início.

De acordo com o site da empresa, além da aceleradora, o projeto tem, entre seus parceiros, a Endeavor Brasil, Unicef, Red Bull Amaphiko, Tramontina, Prefeitura Municipal de Recife, ONU Brasil, Ford Foundation, Fiat Panis, Observatório de Favelas, Itaú Sustentabilidade e a Unesco.

Valores - Na versão salada personalizada, o cliente pode combinar até oito ingredientes dentre os 40 disponíveis, todos orgânicos. A pequena (400g) custa R$ 18 e a grande (650g), R$ 20. Também há opção de saladas temáticas (com nomes como “Força”, “Digestão”, “Bom Humor”, “Atlética” etc.), feitas com as receitas da casa e custam de R$ 15 a R$ 18.  Os pedidos podem ser feitos por meio do site da empresa, do Facebook ou por WhatsApp, até as 22h do dia anterior à entrega.

Além da compra avulsa, o cliente também pode comprar um plano mensal de assinatura, que dá direito a um número específico de saladas entregues por semana a um preço mais baixo. Nesse modelo, custo dos itens da salada grande (600g) é de R$ 5,80 reais e, com embalagem, chega a R$ 10. O markup (índice de lucro sobre o custo) é de 120%, muito diferente dos até 500% aplicados, em média, nos restaurantes da Zona Sul carioca.

O delivery começou nas comunidades do Rio de Janeiro e hoje atende cidades em cinco estados do Brasil.