Peer to Peer Lending: plataformas digitais conectam investidores e tomadores de crédito

Criado por Juliana Oliveira   |  Publicado em 22-02-2018

Peer to Peer Lending: plataformas digitais conectam investidores e tomadores de crédito

Já pensou em conseguir crédito para seu negócio de forma mais simples e menos burocrática? Essa é a proposta do Peer to Peer Lending (P2P), modalidade de economia colaborativa que envolve a realização de empréstimos entre aqueles que possuem recursos (investidores) e os que necessitam de capital (tomadores de crédito) por meio de plataformas digitais, sem a intermediação de uma instituição financeira.

Mas qual é a vantagem do P2P? Pessoas que têm dinheiro sobrando investem seus recursos em bancos. Essas instituições, por sua vez, oferecem esses recursos para quem precisa. E como o banco ganha com isso? Cobrando mais de quem pega emprestado do que ele remunera o investidor. Só que os bancos têm grandes estruturas de custos, com milhares de funcionários e agências espalhadas pelo país. E esse custo acaba refletindo no custo do empréstimo.

Nesse cenário, quem precisa pegar um empréstimo acaba pagando bastante por isso e a remuneração do investidor também é baixa. Como o empréstimo fica mais caro, a inadimplência aumenta. E, aumentando a inadimplência, o custo do empréstimo sobe ainda mais. E é justamente aí que entram as empresas de P2P. Em vez de terem estruturas grandes e caras, elas surgem como empresas enxutas e ágeis. A grande vantagem é que elas não possuem agências físicas e todo o processo é feito 100% online. Com isso, têm custos muito menores. Com o custo mais baixo, essas empresas conseguem remunerar melhor o investidor e, principalmente, cobrar juros menores pelos empréstimos.

A nova modalidade já funciona em dezenas de países, como Estados Unidos, Inglaterra, Canadá, China, Austrália e Índia e vem ajudando milhares de pessoas. Com juros mais baixos, atendimento personalizado e rápido, o novo sistema de empréstimo é uma alternativa atrativa para micro e pequenas empresas que, em sua grande maioria, não têm acesso a crédito nas grandes corporações financeiras do país.

No Brasil, a modalidade está se expandindo gradativamente. A Biva foi a primeira solução do tipo a atuar no país, em abril de 2015. Os empréstimos são voltados para empresas, MEIs (microempreendedores individuais) e pessoas físicas em crédito estudantil. Os investimentos partem de R$ 5 mil e, em 2017, a fintech teve acesso a R$ 100 milhões.

Com dois anos de mercado, a Nexoos, com sede em São Paulo, alcançou R$ 28 milhões em financiamentos em 2017, um crescimento de 1.300% em relação a 2016, seu primeiro ano de operação. A maioria das empresas atendidas é de pequenas e médias, com mais dificuldade de obter crédito no mercado tradicional. O número saiu de 21 empresas em 2016 para 203 em 2017. Do outro lado, existem sete mil investidores, contra dois mil em 2016. A análise de risco é digital, com uso inteligência artificial.

Quem pode participar?

Podem participar das plataformas de Peer To Peer Lending pessoas interessadas em captar recursos, como empreendedores ou pessoas buscando refinanciar dívidas; ou em emprestar, obtendo ganhos com as taxas de juros recebidas (investidores). Contudo, cada sistema tem alguns critérios que delimitam melhor quem está apto ou possui maiores chances de conseguir crédito ou emprestar.

Os benefícios

Entre os benefícios da modalidade, um dos destaques é a redução da burocracia. A contratação do empréstimo é feita pela internet e documentos e formulários são preenchidos, enviados e validados rapidamente por sistemas e atendentes online. As análises de crédito costumam ser simplificadas e eficientes, pois cruzam dados de múltiplas fontes de forma ágil graças ao suporte tecnológico.

Outra vantagem é a redução da taxa de juros. Por ser uma modalidade desvinculada de um banco, as taxas de juros são consideravelmente mais baixas. Mas não são só os tomadores de crédito que são beneficiados, pois os investidores também recebem percentuais maiores de retorno em relação às suas aplicações. Porém, vale destacar que ainda é um investimento de maior risco.

Impacto social

Quem investe no Peer To Peer Lending colabora não só para que pessoas comuns organizem sua vida financeira, mas também no fomento à atividade empreendedora, fornecendo crédito a um custo mais acessível para que empresários possam investir em seus negócios.

Dessa forma, ajuda a impulsionar empresas e a própria economia, gerando um ganho social maior e até mesmo ajudando na geração de empregos. Isso porque muitas companhias podem usar os valores recebidos para expandirem suas operações, o que exige, geralmente, a contratação de mais funcionários.