Os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável no setor financeiro

Criado por Juliana Oliveira   |  Publicado em 02-08-2018

Os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável no setor financeiro

Lançados pela ONU (Organização das Nações Unidas), em 2015, os ODS (Objetivos do Desenvolvimento Sustentável) compõe uma agenda comum de responsabilidades que devem ser assumidas por governos, setor privado e pela sociedade civil a nível mundial. A ambição é de que no prazo de 15 anos, ou seja, até 2030, as nações envolvidas tenham alcançado os 17 objetivos, que, por sua vez, estão detalhados em 169 metas.

A chamada ‘Agenda 2030’, desde sua criação, vem sendo usada como forma de métrica de avaliação de impacto e direcionadora de estratégias de empresas comprometidas com o desenvolvimento sustentável. No entanto, comprometimento apenas não é suficiente para que os ODS sejam atingidos. É preciso recurso. E, pensando nisso, investidores e empresas vêm buscando oportunidades para alinhar suas estratégias de sustentabilidade com produtos e serviços voltados aos ODS.

A SITAWI Finanças do Bem, citou, em artigo publicado em seu portal, que, segundo o Fórum Econômico Mundial, o alcance dos 17 ODS esbarra numa lacuna de investimentos anuais da ordem de US$ 2,5 trilhões, sendo necessário, portanto, um engajamento crescente dos investidores com estas metas. De acordo com a publicação, um ano após a emissão do primeiro título de dívida direcionado a atender aos ODS (SDG bonds, em inglês), pelo Banco Mundial, em março de 2017, outros agentes financeiros foram responsáveis por iniciativas semelhantes:

  • O HSBC, em novembro de 2017, foi o primeiro banco comercial a realizar uma emissão de SDG bonds, no valor US$ 1 bilhão.
  • O BBVA lançou, em fevereiro de 2018, um compromisso (sustainable finance pledge) de alocar EUR 100 bilhões em projetos alinhados aos ODS até 2025. JP Morgan e Citigroup assumiram compromissos similares.

O objetivo é que os ODS possam orientar as empresas e os investidores ao tomar decisões. Para isso, várias iniciativas têm sido desenvolvidas, como frameworks, índices, taxonomias e métricas para avaliação de seus efetivos impactos. O artigo da Sitawi destaca a taxonomia criada pelos fundos de pensão holandeses APG e PGGM (Sustainable Development Investments), que classifica 13 dos 17 objetivos como “investíveis”. E também a metodologia criada pela gestora de ativos NNIP, para avaliação de investimentos em equity de acordo com seus impactos para os ODS.

Outro ponto levantado pela publicação é de que o otimismo gerado por estes anúncios no público geral contrasta com certo ceticismo entre os especialistas. Como o conjunto dos ODS é amplo e pode comportar uma diversidade de projetos, há a preocupação de que alguns investidores apenas se apropriem desta terminologia para categorizar e comunicar investimentos que já estão em suas carteiras, sem adicionar novas “lentes” na tomada de decisão que mobilizariam mais recursos para impacto positivo.

Para a SITAWI, mensurar o progresso das empresas apoiadas e as adicionalidades geradas pelos investimentos alocados para os 17 ODS é desafiador. A publicação traz ainda a opinião da gestora global de ativos Schroders, que explica que menos de 20% dos 169 indicadores para mensuração de progresso dos ODS poderiam ser medidos ao nível da empresa e menos de 8% teriam dados disponíveis atualmente. No Brasil, um levantamento da B3 com 147 empresas abertas apontou que apenas 13% considerou, mesmo que de forma aspiracional, os ODS em seus relatórios anuais de 2016.

Ainda de acordo com o artigo, uma avaliação de terceira parte acerca dos frameworks de investimento ou da emissão dos títulos de dívida para os ODS é uma ferramenta para mitigar e superar estes obstáculos. Os “irmãos mais velhos” dos SDG bonds, os green bonds (títulos verdes) devem servir de exemplo. A publicação menciona que o mercado de títulos verdes, inaugurado há quase dez anos, também pelo Banco Mundial, e o de títulos sociais (social bonds) vêm se expandindo, e as avaliações de terceira parte garantem maior transparência, avaliando não só se há benefícios socioambientais claros originados pelos projetos e ativos financiados, mas também a capacidade do emissor para lidar com potenciais impactos negativos associados.

Como os ODS foram desenvolvidos em um processo global, liderado pela ONU e com envolvimento de diferentes grupos de interesse, o grau de legitimidade e engajamento dos atores envolvidos é muito maior. Os objetivos já foram definidos e as metas a serem alcançadas já são claras. O próximo passo, segundo a publicação, é a traduzir isso na alocação dos recursos, de forma a atingir um 2030 mais sustentável que 2015.

Confira o texto na íntegra aqui https://www.sitawi.net/noticias/financas-sustentaveis/os-ods-na-agenda-do-setor-financeiro/

Foto: Divulgação