Oito aprendizados para o Investimento Social Privado (ISP)

Criado por Juliana Oliveira   |  Publicado em 01-06-2018

Oito aprendizados para o Investimento Social Privado (ISP)

O Congresso GIFE é um dos eventos mais esperados do ano para quem atua no setor de negócios ou investimentos sociais. Em sua 10ª edição, realizada em abril, a associação de investidores brasileiros não deixou a desejar. Ao longo dos três dias de congresso, foram dezenas de debates na programação. Os conteúdos completos podem ser conferidos agora no canal do YouTube do GIFE (https://goo.gl/7axsy1). Também há materiais para leitura e discussão, como um artigo publicado no site da organização. Ele aponta oito aprendizados que a conferência proporcionou aos participantes. Confira um resumo deles.

  1. Fortalecer as organizações da sociedade civil

De acordo com o artigo, não há como pensar numa democracia forte e renovada, sem uma sociedade civil fortalecida, plural e diversa. Como forma de manter os direitos fundamentais dos cidadãos e impedir que os retrocessos continuem avançando no Brasil, é fundamental que, além de investir, os investidores apoiem e garantam que as organizações da sociedade civil tenham voz e força. Para isso, é preciso atuar em conjunto, investindo recursos, possibilitando canais de participação e diálogo, mas com o cuidado de manter as organizações como autoras e protagonistas em suas causas.

  1. Investir em temas emergentes e urgentes da sociedade

Os inúmeros debates realizados durante o congresso culminaram na conclusão de que certos temas precisam entrar, de forma urgente, na agenda dos institutos, fundações e empresas, se a proposta é termos de fato uma sociedade mais justa e sustentável. Assuntos como diversidade, equidade, raça, gênero, mudanças climáticas, ciência, justiça social, ainda que tímidos, foram foco de diversas mesas de debate e o recado foi um só: não é possível mais ficar indiferente, avesso ou paralisado diante destas temáticas.

  1. Fomentar a cultura de doação

Vários especialistas que passaram pelo congresso têm essa como uma pauta fundamental para uma atuação forte do ISP (Investimento Social Privado). Existem diversas formas de possibilitar isso. Uma delas é apoiar iniciativas de advocacy, que buscam alterar legislações, criando um ambiente mais favorável e incentivando doações. Outra opção é realizar pesquisas e estudos para entender o campo, ou até mesmo criar campanhas de comunicação, mecanismos internos para incentivar funcionários a se engajar nessa também, assim como ampliar as suas próprias doações para as organizações da sociedade civil.

  1. Ampliar iniciativas de cocriação, com ações em rede e agendas mais inovadoras

O momento atual do país coloca ainda mais peso em algo já vinha sendo falado há um bom tempo pelos investidores: é preciso fazer junto. A cocriação precisa ser um compromisso a ser assumido de forma genuína pelos institutos, fundações e empresas. Deve superar agendas individuais e olhar para dentro, e encontrar agendas comuns, colocando cada um suas expertises, conhecimentos e até mesmo recursos direcionados a um bem de interesse público maior. Os ganhos para os investidores que assumiram o desafio já são visíveis: mais escala, otimização de recursos, trocas de experiências e resultados mais efetivos na ponta.

  1. Visualizar e apostar em novas formas de atuação diante da queda das fronteiras entre negócios e ISP

Com o passar dos anos, as fronteiras entre a atuação e o foco de ação de institutos, fundações e empresas mantenedoras têm se tornado cada vez mais fluídas. Os investidores se veem, inclusive, diante de novas e mais opções de atuação, como, por exemplo, entrar no campo dos negócios de impacto. É o propósito que move e aproxima diferentes instituições e será assim, cada vez mais, se a proposta for promover transformações. O importante, lembraram os vários debatedores do congresso, é o ISP estar aberto ao risco e apostar na inovação.

  1. Investir em processos consistentes, confiantes e transparentes

No evento, especialistas apontaram algumas palavras como sendo processos fundamentais a serem aprimorados na atuação dos investidores sociais. São elas: governança, transparência, avaliação, métricas e indicadores. De acordo com eles, apesar de comuns no dia-a-dia do grupo, essas palavras não podem sair de vista. Apesar dos avanços e profissionalização de vários processos, diante de uma crise generalizada de confiança nas instituições pela qual o mundo passa, o campo social é afetado e, portanto, se faz necessário velar e investir ainda mais em ferramentas, insumos e mecanismos que tragam credibilidade para a atuação do ISP na sociedade.

  1. Comunicar mais e melhor para mobilizar públicos diversos

Quem participou do evento também pode constatar que comunicação é a chave no campo social. É por meio dela que as agendas se concretizam, que as causas se manifestam e que as pessoas se sensibilizam e se engajam em movimentos para gerar conhecimento e mudanças sociais concretas. Portanto, buscar narrativas mais engajadoras são ponto crucial para que, inclusive, os investidores tenham mais credibilidade para suas ações e consigam mais impacto de suas atuações.

  1. Atuar com foco e olhar a longo prazo a fim de ampliar os impactos na sociedade

A nossa sociedade quer resultados cada vez mais rápidos, porém transformações sociais profundas são uma conquista que exige tempo. As mudanças sistêmicas necessárias devem acontecer e, para isso, os investidores precisam inverter essa lógica de uma sociedade sem tempo. Pensar a longo prazo, estabelecer parcerias duradouras, focar os recursos em causas consistentes e atuar colaborativamente são pontos cruciais para que seja possível pensar no legado que esperamos deixar para as próximas gerações.

Crédito foto: Divulgação/GIFE