O que esperar de 2019?

Criado por Juliana Oliveira   |  Publicado em 10-01-2019

O que esperar de 2019?

A plataforma InovaSocial publicou recentemente suas previsões para 2019, destacando as principais tendências e tecnologias que as organizações precisam conhecer e explorar neste ano. De acordo com o portal, a análise é feita por meio do modelo da Induct, que divide as tendências em três categorias: ‘Tendências maduras’ (hoje e nos próximos meses), ‘Tendências de diferenciação’ (com crescimento em 2019 e 2020) e ‘Tendências de exploração’ (para os próximos 5 a 10 anos). Entende-se por ‘Tendências maduras’ as tecnologias e movimentos que já existem e devem impactar cada vez mais o dia a dia das pessoas. Elas têm sido tendência nos últimos 5 ou 10 anos, mas ainda são pouco exploradas.

  1. Veículos autônomos, inteligentes e compartilhados: o futuro do transporte

O portal, cuidadosamente, escolhe se referir a esta tecnologia como veículos (não automóveis) por compreender que o automóvel não é a única saída para a mobilidade (seja ela urbana ou no campo). De acordo com o artigo, essa tendência é um misto visto nos últimos anos, misturando: inteligência artificial, a onda low-carbon, IoT (Internet das Coisas), carros elétricos, drones e economia compartilhada.

Em 2019, acredita-se no surgimento de soluções que farão a locomoção por pequenos, médios e grandes trajetos sem a necessidade de um condutor e sem a necessidade de “posse”. Além disso, esse movimento vai ditar apostas em diversas áreas.

  1. 5G no Brasil e no mundo: o futuro das conexões

O 5G não é uma tecnologia para se ter mais velocidade no celular. O artigo explica que ela também faz isso, mas o foco aqui está em IoT. A ideia principal, segundo o InovaSocial, é que as redes de 3.5 GHz e 26 GHz (no Brasil, essas devem ser as faixas adotadas para o 5G) sejam usadas para irem além do celular, conectando veículos autônomos, cidades inteligentes (iluminação, câmeras etc.) e outros tantos dispositivos.

No entanto, a nova rede ainda não estará disponível nos smartphones em 2019. O ano será o chute inicial dos leilões de rede. Muitos países, incluindo o Brasil, devem realizar os leilões de rede 5G ainda em 2019 e isso definirá um panorama de como a tecnologia será implementada. Em resumo, o 5G deve ser tema de debate e, para aqueles que querem pensar em tecnologias sociais, vale a pena se atentar às discussões em torno do tema em 2019.

  1. Millennials são coisa do passado: a vez da Geração Z

De acordo com a previsão, a Geração Z (nascida a partir de 2001) deve superar os Millennials em 2019 e representarão um quinto da força de trabalho mundial (além de representarem 32% da população mundial, segundo a ONU). De acordo com o Código Civil brasileiro, a primeira leva da Geração Z passará a ser “maior de idade” ainda este ano. Segundo Michael Dell, CEO da Dell, “pela primeira vez na história moderna, cinco gerações trabalharão lado a lado” e isso deve gerar mudanças drásticas no local de trabalho. Vale ressaltar que essa geração não conheceu o mundo sem que seja digital e isso já diz muito sobre as mudanças.

  1. A nuvem negra da crise econômica surge no horizonte

A publicação garante que não existe um consenso entre os economistas de quando uma crise econômica mundial ocorrerá, mas todos têm certeza que ela virá. De acordo com o analista de negócios da CBS News, Jill Schlesinger, “é muito provável que o crescimento mundial diminua em 2019, e realmente parece que 2020 pode ser o ano de uma recessão global.”

A boa notícia é que, de acordo com analistas da JP Morgan, o impacto deve ser menos doloroso, já que o mundo parece ter se preparado para problemas financeiros (e aprendido com as crises recentes, vide o colapso do maior banco de investimentos no mundo, o Lehman Brothers).

  1. A fragmentação da internet e a queda das redes sociais

Este é um assunto que a própria plataforma considera complicado. A ideia principal é de que 2019 deve marcar o início da fragmentação da internet. Seja na visão de Tim Berners-Lee ou de Eric Schmidt, a coisa toda se resume em dois aspectos: a internet controlada por grandes corporações e/ou governos, e a internet descentralizada.

Eric Schmidt, ex-CEO do Google, acredita que até 2028 a internet será dividida em duas: a chinesa e a não chinesa. A China limita o acesso a diversos sites e muitas plataformas (rede social e serviço de buscas, por exemplo) são diferentes dos nossos ocidentais. O grande ponto está no volume de gente, o que torna a internet chinesa autossustentável e no grande boom de empresas de tecnologia no país.

Já Tim Berners-Lee, o criador da web www, fundou também a Solid, uma internet descentralizada e criada para que os usuários tenham o controle dos seus dados. Ela ainda não é de fácil acesso e requer conhecimento em programação para utilizá-la, mas a questão é que ela existe, é aberta para todos e pode servir como uma fagulha para o surgimento de uma internet descentralizada (a deep web, por exemplo, já é uma outra forma de internet, só que com objetivos obscuros).

Por fim, as redes sociais estavam fazendo o papel de uma nova internet, mas têm visto um real declínio nos últimos anos. E, para somar ao problema, a União Europeia discute a aplicação do “Artigo 13”, uma proposta de lei de direitos autorais que pode gerar severas restrições no compartilhamento de vídeos e imagens nas redes sociais. Para ilustrar e facilitar o entendimento, o InovaSocial achou pertinente utilizar um vídeo do youtuber Felipe Neto (https://www.youtube.com/watch?v=I1FmYFir6cI).

  1. Blockchain na agenda de impacto social

Como já citamos por aqui, o Blockchain ganhou o mundo em 2018 com as criptomoedas. Mas ele vai muito além disso. De acordo com a previsão, uma aposta é que a tecnologia pode ganhar espaço na agenda de impacto social, visto que este é um cenário que precisa de um formato para autenticação e facilidade na captação de investimento. Um exemplo bem interessante neste campo é o programa Moeda Semente, uma plataforma que promove a implantação de práticas sustentáveis de longo prazo e promoção de crescimento local que gera desenvolvimento global.

Neste modelo, empreendedores com projetos de impacto enviam propostas para o programa Moeda Semente. Após selecionados, recebem financiamento e apoio de negócios. Na outra ponta, investidores que buscam projetos de impacto contam com a transparência do blockchain para receber rendimentos e investir em projetos. Com investimento mínimo de US$ 8, o investidor acompanha todas as etapas de desenvolvimento do projeto por meio de uma “auditoria” por blockchain.

  1. Inteligência artificial mais presente e em todos os cantos

Segundo o InovaSocial, com a popularização da inteligência artificial, cada vez mais sistemas robóticos serão inseridos no nosso cotidiano. A Intel, por exemplo, lançou no último ano o Neural Compute Stick 2, um pen drive que permite criar algoritmos de IA por meio de redes neurais. Além de portátil, o aparelho custa US$ 99.

  1. A corrida espacial está só começando (de novo!)

No dia 03 de janeiro deste ano, a China pousou uma sonda no lado oculto da Lua. Muito mais do que isso, o sistema levou uma “micro biosfera” – criada por 28 universidades chinesas – com sementes de batata e ovos de bicho-da-seda para experimentos biológicos. Já do lado ocidental do globo, a Comissão Federal de Comunicações dos EUA (FCC) concedeu uma permissão para que a SpaceX coloque em órbita mais de 7 mil satélites. O intuito inicial é colocar em operação o programa Starlink, projeto da empresa de Musk que permitirá levar internet de alta velocidade via satélite para qualquer lugar no mundo. A corrida espacial só está (re)começando!

  1. Refugiados: uma questão global que atravessa fronteiras

Em 2018 o mundo se viu polarizado com a questão dos refugiados. Na Europa, países fecharam fronteiras e, até mesmo, evitaram navios de atracar em portos. No Brasil, cidades fronteiriças com a Venezuela viram o boom migratório invadir seus vilarejos e os ânimos esquentaram. Nos EUA, uma massa de gente chegou a fronteira depois de uma longa e perigosa caminhada por vários países da América Central. A questão, por enquanto, se dá por conta de guerras ou crises políticas/econômicas. Mas o InovaSocial levanta a possibilidade da necessidade de ondas migratórias internas devido à questão climática, principalmente nos países da África subsaariana, sul da Ásia e América Latina. De acordo com a plataforma, em 2019, a discussão ganhará fôlego e alternativas entrarão em pauta, sejam elas radicais ou não.

  1.  Alimentação será um problema emergencial

O artigo trouxe informação, adquirida da ONG Global Footprint Network, de que desde o dia 01 de agosto de 2018, o mundo entrou em déficit ambiental com o planeta. Isso significa que atualmente consumimos mais recursos (água, alimentos, madeira, terra e emitimos CO2) do que o planeta é capaz de renovar. A China, por exemplo, consome 28% da carne mundial – o dobro dos EUA – e este número só tende a aumentar. Segundo o InovaSocial, no Brasil a discussão em torno dos agrotóxicos deve esquentar, com o crescimento da bancada ruralista e caso as promessas do atual governo se concretizem.

2019 é o ano em que já começamos no vermelho e, ao contrário de questões financeiras, neste caso não podem haver cortes. Qual é a solução? 2019 pode ser o ano em que qualquer decisão pode interferir diretamente no destino das próximas gerações.

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Confira o texto na íntegra em http://inovasocial.com.br/inova/tendencias-tecnologias-2019-parte-1/