O papel das incubadoras e aceleradoras de NIS e o panorama atual no Brasil

Criado por Juliana Oliveira   |  Publicado em 07-09-2017

O papel das incubadoras e aceleradoras de NIS e o panorama atual no Brasil

Um dos temas mais relevantes debatidos durante o Seminário de Negócios de Impacto Social – Incluir, realizado nos dias 22 e 23 de agosto, no Rio de Janeiro, foi o ecossistema de apoio aos negócios sociais e inclusivos no Brasil. Dois painéis, em especial, levantaram aspectos importantes sobre o papel de aceleradoras e incubadoras de negócios de impacto social e ambiental (NIS). Aceleradoras são empresas ou instituições que investem em NIS, enquanto incubadoras são projetos voltados para o desenvolvimento desse modelo de negócio.

O trabalho desses agentes e suas relações com os NIS também foram foco de uma pesquisa recém lançada pela Aspen Network of Development Entrepreneurs (ANDE) e o Instituto de Cidadania Empresarial (ICE). Nomeado ‘Panorama das Aceleradores e Incubadoras no Brasil’, o estudo investigou como aceleradoras e incubadoras nacionais trabalham com NIS e quais são as diferenças e semelhanças entre aqueles que trabalham ou não com esse tipo de negócio. A pesquisa também comparou as realidades de incubadoras brasileiras e de outros países.

“Acredito que os programas do mundo todo que se dedicam a apoiar empreendedores são fundamentais para o sucesso de negócios que estão começando. Aceleradoras e incubadoras atuam em uma fase crítica do processo de desenvolvimento dos NIS, quando os empreendedores têm que testar ideias e hipóteses, construir redes de relacionamentos e encontrar parceiros estratégicos e investidores financeiros. O papel que os programas de aceleradoras e incubadoras desempenham nessa área é crucial para o crescimento saudável do ecossistema de empreendedorismo como um todo”

argumentou Graziella Comini, professora da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP), durante painel no primeiro dia de seminário

A professora defendeu ainda que os modelos de apoio aos NIS precisam ser mais disseminados. “É preciso que mais empreendedores tenham acesso aos programas. Temos casos de referência na região Sudeste, mas os recursos e as informações precisam ser descentralizados e alcançar todo o país”, disse Graziella. A fala da professora é confirmada na pesquisa da ANDE/ICE. Das 53 aceleradoras e incubadoras que participaram do estudo, aproximadamente 60% estão localizadas em cidades da região Sudeste e outras 25% no Sul do país.

Uma das recomendações apontadas na pesquisa é necessidade de aumentar o diálogo entre aceleradoras e incubadoras com investidores de impacto. O estudo mostra que pode haver um desalinhamento entre os setores que são de maior interesse para aceleradoras e aqueles priorizados por investidores. Aceleradoras com foco em impacto demonstraram mais interesse em negócios das áreas de TIC, energia e meio ambiente, ao passo que investidores de impacto declararam a maioria de negócios ocorrendo nas áreas de saúde, educação e inclusão financeira.

“Esse desencontro pode resultar em negócios egressos de programas de aceleração e incubação que encontram dificuldades para garantir investimentos adicionais, pelo menos no que diz respeito a investidores de impacto. Um maior diálogo entre aceleradoras/incubadoras e investidores é importante para se evitar esse gargalo”

defendeu Ruth Espíndola, do Instituto Gênesis, que participou do último dia de seminário. Ela defendeu ainda a participação das universidades no apoio aos NIS, assim como a professora de Direito da Universidade Federal Fluminense (UFF), Clarisse Stephan

“A universidade produz conhecimento intelectual que pode e deve contribuir com o fomento deste tipo de empreendedorismo. Se os conhecimentos gerados no ambiente acadêmico não servem à sociedade, não têm sentido”

pontuou Clarice

Os dados levantados pela pesquisa ‘Panorama das Aceleradores e Incubadoras no Brasil’, da ANDE/ICE, e as informações apresentadas nos painéis do Seminário de Negócios de Impacto Social – Incluir apontam que a diversidade na maneira como as aceleradoras e incubadoras operam oferece aos empreendedores uma quantidade considerável de opções.

“Os NIS são mais desafiadores do que o empreendedorismo tradicional, pois estão criando não só uma nova empresa, como também um novo mercado que precisa de parcerias, em especial com investidores, universidades e serviços de capacitação”

finalizou Clarice.