Investimentos em negócios de impacto tendem a aumentar nos próximos anos

Criado por Juliana Oliveira   |  Publicado em 14-09-2017

Investimentos em negócios de impacto tendem a aumentar nos próximos anos

Os investimentos em negócios de impacto social e ambiental (NIS) tendem a crescer mundialmente nos próximos anos, segundo pesquisa realizada pela Global Impact Investing Network (GIIN). Em sua sétima edição, o estudo apontou que o mercado mundial de investimentos de impacto movimentou aproximadamente US$ 114 bilhões em ativos em 2016. A pesquisa usou como base 209 questionários respondidos pelas principais organizações de investimentos de impacto no mundo. No total, 205 entrevistados investiram US$ 22,1 bilhões em quase oito mil investimentos de impacto em 2016 e planejam aumentar o capital investido em 17% (US$ 25,9 bilhões) este ano.

As tendências mundiais e nacionais de investimento em NIS foram tema de debates durante o Seminário de Negócios de Impacto Social – Incluir, realizado nos dias 22 e 23 de agosto, no Rio de Janeiro. Em um dos painéis, o representante da ANDE (Aspen Network of Development Entrepreneurs), Rob Parkinson, apresentou indicadores de investimento em negócios de impacto social no Brasil e na América Latina. Os números são otimistas: a expectativa de crescimento de investimento em NIS no Brasil é 200% maior em relação ao mundo.

No entanto, apesar dos números positivos, ainda existem desafios a serem superados para consolidar os investimentos em NIS. Na opinião do diretor da SITAWI Finanças do Bem, Leonardo Letelier, falta consenso nas decisões de investidores e empreendedores de impacto.

““Estamos convictos de que é necessário e possível atrair mais capital para financiar soluções inovadoras que respondam aos problemas sociais numa escala de grandeza proporcional ao tamanho de seus desafios. Mas ainda existe barreira entre as áreas financeiras e a dos programas, o que faz com que os recursos disponíveis sejam investidos nas formas tradicionais. Elas não se falam e isso é um grande desafio quando se quer integrar”

comentou Leonardo

A conclusão do diretor da SITAWI Finanças do Bem é reforçada no estudo feito pela GIIN. A pesquisa revelou que as organizações continuam enfrentando desafios relacionados à disponibilidade de capital apropriado de diferentes tipos e à falta de vocabulário compartilhado para definir e segmentar o mercado.

A importância de mensurar o impacto dos investimentos nos NIS, uma das necessidades apontadas pelos investidores que responderam ao questionário da GIIN, também foi levantada durante o Seminário de Negócios de Impacto Social – Incluir. Quase universalmente, os entrevistados medem seu desempenho social e/ou ambiental usando uma mistura de métricas proprietárias, informações qualitativas e métricas alinhadas pelo IRIS (Impact Report and Investment Standards - ferramenta de medição de impacto social utilizadas para orientar investimento).

Outra palestrante do Seminário, Gabriela Valente, do Sistema B, destacou a importância de construir indicadores ainda na fase da idealização dos negócios de impacto social e ambiental.

“A oferta de capital é diferente e depende do estágio de maturidade do empreendimento. Enquanto nas fases iniciais (quando há grande necessidade de recursos) os investimentos são escassos, nas fases mais avançadas a oferta é maior. Por isso, os empreendedores precisam levantar dados quantitativos e qualitativos referentes ao impacto do seu negócio. Os investidores buscam empreendedores com dedicação total ao negócio, métricas de impacto definidas e time que entregue o resultado”

finalizou Gabriela