Fundo Socioambiental ‘Édetodos’ para empreendedores da base

Criado por Juliana Oliveira   |  Publicado em 12-04-2018

Fundo Socioambiental ‘Édetodos’ para empreendedores da base

E se atores do ecossistema de Finanças Sociais e Negócios de Impacto se unissem para mudar o mundo? Essa visão ganhou corpo, em fevereiro deste ano, quando doze organizações se reuniram em São Paulo para participar de um workshop, ministrado pela organização SITAWI Finanças do Bem. Do encontro nasceu o ‘Édetodos, um fundo socioambiental que visa oferecer suporte a empreendedores sociais que atuam nas classes CDE.

Durante o workshop, o grupo participante – formado por empreendedores sociais, aceleradoras e negócios de impacto – debateu sobre estratégias, estrutura e governança e criou comitês para dar sequência ao trabalho.

“Para nós, é muito importante apoiar iniciativas com direcionamento para as classes CDE. O fundo poderá aportar recursos nas organizações participantes multiplicando seu impacto através da atuação das mesmas com seus públicos”, comentou Leonardo Letelier, CEO da SITAWI, em reportagem publicada no site da instituição.

Segundo ele, o ‘Édetodos’ será um fundo misto e oferecerá doações e empréstimos com critérios que ainda serão definidos.

O fundo será gerido pela SITAWI e inicialmente vai captar recursos. Em um segundo momento, irá ofertar empréstimos socioambientais para empreendedores sociais que tenham iniciativas voltadas para as classes CDE. O objetivo é criar solidez para apoiar financeiramente iniciativas que recebem amparo das organizações participantes da criação do fundo.

“Pela primeira vez tivemos a oportunidade de reunir empreendimentos em território nacional que tenham uma atuação na base da pirâmide com um olhar para a base. Nosso objetivo é desenhar uma estratégia de um fundo que privilegie a descentralização de recursos do ecossistema de impacto”, pontuou Adriana Barbosa, fundadora da Feira Cultural Preta, na mesma publicação.

A reportagem também ouviu a analista de Finanças Sociais da SITAWI, Marcela Miranda. Segundo ela, o objetivo da instituição é apoiar não só a fase de estruturação do Fundo, mas também dar suporte contínuo ao grupo.

“O ‘Édetodos’ será um fundo formado por organizações que atuam na base da pirâmide e que entenderam que juntas podem gerar um impacto maior.”

Entre os atores participantes, uma coisa é unânime: o foco do ‘Édetodos’ é trazer diversidade para o ecossistema de empreendedorismo social.

“É uma convocatória para todos os investidores que acreditam na força da periferia para a transformação social”, disse Thiago Almeida, produtor cultural da Agência Solano Trindade, à reportagem publicada no site da SITAWI.

“O cenário de impacto social no Brasil ainda é muito pouco diverso. Dessa forma, é muito importante garantir uma representatividade no protagonismo dessa atuação. Nós não estamos falando com a minoria, estamos falando com a maioria, que estão nas periferias. São eles que consomem e produzem”, comentou Paulo Rogério Nunes, co-fundador da Vale do Dendê. “A gente precisa mudar o paradigma do lugar de ausência e perceber o potencial desses espaços em termos de tecnologia, potência, criatividade e inovação”, concluiu. 

Dentre as organizações participantes do grupo criador do fundo estão: Banca, Empreende Aí, Agência Solano, Vale do Dendê, Conta Black, FA.VELA, Grana Preta, Black Rocks, Latinidades, Universidade da Correria e Feira Cultural Preta. O lançamento do ‘Édetodos’ está previsto para junho deste ano.

Crédito foto: reprodução site Sitawi