Estudo traz reflexões sobre relação entre OSCs e Negócios de Impacto Social

Criado por Juliana Oliveira   |  Publicado em 01-11-2017

Estudo traz reflexões sobre relação entre OSCs e Negócios de Impacto Social

Lançada recentemente, a publicação “Lições da prática – reflexões sobre os elos entre o terceiro setor e o campo de negócios de impacto” lança luz sobre as relações entre Organizações da Sociedade Civil (OSCs) e Negócios de Impacto Social (NIS). Conduzido pelas professoras da FEA/USP, Rosa Maria Fischer e Graziella Comini, em parceria com o Instituto de Cidadania Empresarial (ICE) e a Ashoka, o estudo analisa e sistematiza as práticas adotadas por OSCs para assegurar sustentabilidade financeira a partir da estruturação de produtos e serviços voltados para o mercado.

Inicialmente, as autoras mapearam cerca de 50 lideranças de OSCs que já tinham implementado algum tipo de experiência de geração de receita. A partir desse grupo inicial, foram selecionados 12 líderes para compor um grupo heterogêneo de organizações que participaram de entrevistas exploratórias. Em seguida, foi organizado um workshop com 25 lideranças de cinco estados, para aprofundar os assuntos levantados nas entrevistas e coletar mais informações que pudessem contribuir com os objetivos da pesquisa.

Uma das principais reflexões trazidas é a de que há uma mudança em curso. Existe abertura por parte de OSCs e seus gestores para desenvolverem iniciativas de mercado a partir de diversos formatos e modelos, mas não há um único fator que impulsione a organização a refletir sobre o seu modelo de atuação. Entre os principais desafios, está a busca de modelos alternativos de viabilidade financeira.

“A restrição de recursos financeiros não é um fenômeno atual (...). Com isso, as organizações desenvolveram a consciência da necessidade de buscar formas alternativas de sustentabilidade financeira. Novos métodos de captação de recursos começam a ser desenvolvidos, como o marketing relacionados a causas, e também são criadas atividades complementares de geração de renda”

apontam as autoras no estudo.

A publicação destaca ainda que existe diversidade de formatos usados pelas OSCs para oferecer produtos e serviços ao mercado. As autoras citam quatro estágios de transformação que as organizações têm sido conduzidas: prestação de serviços, criação de unidade de negócios, criação de uma empresa e transformação do modelo de atuação. Cada um desses estágios é detalhado no estudo com exemplos para facilitar o entendimento do leitor.

Outra reflexão aborda os fatores que impulsionaram as mudanças na relação com o mercado, entre eles o reconhecimento de que OSCs detém competências que podem ser transformadas em produtos/serviços “vendáveis” ao mercado. Nas últimas páginas, o material traz oito aprendizados adquiridos pelas OSCs e as considerações finais das autoras.

“A missão institucional deve ser o norte, o centro dos esforços das organizações da sociedade civil. A incorporação de uma lógica de mercado deve ser vista como uma maneira de expandir a missão. Neste sentido, a criação de um portfólio de produtos e serviços deve ser coerente e alinhado com o propósito da organização, tornando claro que o objetivo é a realização da missão”

finaliza o texto.

O estudo completo pode ser acessado no link https://goo.gl/Va6Kna.

Crédito imagem de capa: ICE