Estudo analisa cenário brasileiro de Empreendedorismo Social Feminino

Criado por Juliana Oliveira   |  Publicado em 30-11-2017

Estudo analisa cenário brasileiro de Empreendedorismo Social Feminino

Existe uma conexão entre os negócios de impacto social e os desafios enfrentados por mulheres no mundo? De que forma o modelo de negócios de impacto pode ajudar na construção da igualdade de gênero em nossa sociedade? Com o objetivo de responder tais questões, o British Council, em parceria com a NESst Brasil, realizou a pesquisa qualitativa internacional ‘O papel dos negócios sociais no apoio ao empoderamento feminino no Brasil’, com a participação de cinco países: Reino Unido, EUA, Índia, Paquistão e Brasil. A equipe responsável pela pesquisa em território brasileiro entrevistou cerca de 80 empreendedores sociais.

O relatório, escrito por Mark Richardson e Anette Kaminski, explora todas as características do negócio social, os pontos fortes e fraquezas, enquanto mecanismo para o empoderamento de mulheres, além de observar os meios utilizados para alcançar esse objetivo. Durante o estudo, foi contemplada a ideia de que, mesmo quando o empoderamento feminino não é o objetivo específico do negócio, o modelo de impacto social ainda ajuda, indiretamente, a promovê-lo. O texto traz também recomendações para o governo e geradores de políticas públicas; para financiadores e investidores; e para organizações intermediárias e setor de negócios sociais.

Entre diversos outros temas, o relatório abordou ‘Mulheres na liderança de negócios de impacto social’, ‘Acesso de mulheres a recursos e investimentos para o fortalecimento de negócios de impacto social’, ‘Negócios de impacto social como plataforma eficaz para o empoderamento das mulheres’ e ‘Como os negócios de impacto social desafiam ou reforçam estereótipos de gênero na economia’.

Umas das conclusões alcançadas pela pesquisa no Brasil foi que a maioria das mulheres que dirigem suas próprias empresas acredita que as barreiras para um crescimento efetivo de seus negócios são: a falta de compartilhamento de conhecimento e o acesso equitativo às oportunidades de financiamento e a uma ampla rede de contatos.

Os números divulgados mostram que as mulheres brasileiras têm menor representação no empreendedorismo social do que no tradicional. Enquanto 43% das empresas com fins lucrativos pertencem a mulheres e 59% têm uma mulher entre seus principais proprietários, entre os negócios sociais, apenas 20% foram fundados por mulheres. De acordo com o relatório, a realidade é extremamente desfavorável, considerando que, no Brasil, a taxa de empreendedorismo social é apenas 4%. 

As principais conclusões do estudo foram:

 

  • 75% das mulheres empreendedoras sociais alcançaram um sentimento de autovalorização após abrirem seu negócio.
  • Para 56%, o empreendimento social deixou-as mais capazes de fazer suas próprias escolhas. 
  • As mulheres empreendedoras sociais encontram muitas das mesmas barreiras enfrentadas pelos homens, como impostos e burocracia. Mas há áreas em que as mulheres afirmam ter desvantagens significativas em relação aos homens, de acordo com a pesquisa. Algumas delas são: maior demanda de tempo para obrigações domésticas e de família, menor acesso a financiamentos, menor confiança nas suas competências e habilidades, menos modelos femininos para seguir, pressões sociais e familiares, preconceito e discriminação. 
  • 62% das mulheres sentem que seu gênero impacta diretamente as barreiras que elas enfrentam ao conduzir seus negócios sociais.
  • A pesquisa encontrou diferenças de perfil entre as empreendedoras sociais formais e as informais. Entre as que estabeleceram negócios formais, 76% tiveram padrão de vida no mínimo confortável na infância, 82% ainda estavam na escola aos 21 anos e somente 6% são responsáveis pelo principal salário em sua família (contra 76% dos homens empreendedores sociais). 
  • As mulheres de origens mais pobres e com níveis mais baixos de educação são mais envolvidas com o empreendedorismo social informal nas suas comunidades, com remuneração mais baixa.

Concluindo o texto, os autores afirmam que o negócio social está se provando extremamente efetivo no Brasil enquanto modelo para endereçar o empoderamento feminino. Enquanto setor, a evidência de outros países mostra que poderia estar fazendo ainda muito mais. O vínculo entre o negócio social e o empoderamento feminino poderia ser ainda mais forte.

A pesquisa completa pode ser acessada no link: https://goo.gl/r2jXRN

Crédito imagem de capa: British Council