Compras governamentais x negócios de impacto

Criado por Juliana Oliveira   |  Publicado em 28-09-2017

Compras governamentais x negócios de impacto

Como as compras públicas podem alavancar os negócios de impacto social e ambiental (NIS) no Brasil foi um dos temas debatidos durante o Seminário de Negócios de Impacto Social – Incluir, realizado nos dias 22 e 23 de agosto, no Rio de Janeiro. No evento, o representante do ICE (Instituto de Cidadania Empresarial) e da Força Tarefa de Finanças do Bem, Beto Scretas, defendeu que um olhar propositivo para o campo das compras governamentais e negócios de impacto passa por estudar legislações, identificar oportunidades e construir casos de sucesso que possam ser divulgados e multiplicados, informando e capacitando os gestores públicos sobre este novo campo.

“É preciso conectar as demandas do governo com os negócios de impacto. Esse caminho é trabalhoso e passa pelo convencimento do gestor público em olhar os NIS como solução para problemas que ele precisa resolver. Além disso, é preciso trabalhar com o Ministério Público e órgãos de controle (Tribunais de Contas, Advocacia e Controladorias) para encontrar formas de incentivar o fornecimento por meio de negócios de impacto sem ferir a legislação vigente e reduzir a complexidade jurídica de inovações no setor público”

argumentou Scretas

Para Eduardo Henrique de Azevedo, da subsecretaria de Parcerias e Inovação do governo do Estado de São Paulo, os principais desafios do governo para comprar de NIS estão ligados ao desconhecimento do tema e à complexidade jurídica, que deixam inseguros os responsáveis pelas compras públicas.

“O Estado é fundamental para a formulação de políticas públicas que viabilizem a existência das empresas de impacto social. É preciso que os governos, de todas as esferas, incluam estas empresas em seus chamamentos e contratações para o que empreendedor social seja um participante ativo dessa cadeia”

ressaltou Eduardo.
Compras Governamentais
Ele que apresentou durante o Seminário a plataforma ‘Pitch Gov’, criada pelo governo estadual de São Paulo para aproximar empreendedores sociais de investidores (www.pitchgov.sp.gov.br).

Durante sua participação no Seminário de Negócios de Impacto Social – Incluir, a analista de Políticas Públicas e Desenvolvimento Territorial do Sebrae, Ana Paula da Silva, comentou sobre a dificuldade de diferenciação de um negócio de impacto de um negócio tradicional em um processo de convênio ou de licitação pública.

“Os negócios de impacto social estão intimamente ligados às políticas públicas. Ambos querem modelos de negócio que podem resolver problemas sociais. No entanto, ainda falta no Brasil a criação de um marco regulatório governamental para apoiar a criação e o desenvolvimento de empresas de impacto social e ambiental”

afirmou Ana Paula

A relação entre governo e NIS é um dos assuntos recorrentes do grupo de trabalho de negócios sociais do Fórum de Desenvolvimento do Rio. A subsecretária-geral, Geiza Rocha, explica qual tem sido o papel do Fórum no desenvolvimento de um ecossistema de negócios de impacto social no estado do Rio de Janeiro.

"Nós oferecemos a expertise de mobilização do Fórum para construir uma plataforma de interação dos atores e do setor público. Queremos chegar a uma legislação estadual que não só regulamente, mas também crie políticas para seu desenvolvimento”

afirmou Geiza