Blockchain: a evolução da confiança

Criado por Juliana Oliveira   |  Publicado em 06-12-2017

Blockchain: a evolução da confiança

Cada grande inovação na história da humanidade tem sido com o objetivo de preencher alguma lacuna, tornando a experiência humana mais completa. A prensa móvel, que permitiu a impressão de textos em massa, veio para preencher a lacuna do conhecimento. Os motores foram criados como uma resposta à nossa necessidade de mão de obra. A internet preencheu o vão da distância: o mundo nunca foi tão pequeno. E, agora, uma nova invenção chamada Blockchain (corrente de blocos) chega como uma forma de preencher a maior lacuna do século XXI: a confiança.

A raça humana nunca esteve tão conectada como agora. Uma pessoa participa de mais transações em um dia do que uma vila inteira participava em um mês, há menos de cem anos. E cada uma das milhões de transações acontecendo todos os dias é baseada em confiança.

Um exemplo simples pode ser a laranja. Digamos que João ama laranjas, mas é alérgico aos suplementos agrícolas utilizados no cultivo de 80% das laranjas no mundo. João só pode comprar laranjas orgânicas. E, para tal, ele precisa confiar que o selo de produto orgânico no pacote de laranjas é verdadeiro. Para que João não tenha que apenas tomar a palavra do produtor de laranjas como verdade, uma agência do governo é responsável por fiscalizar a veracidade do processo, e atestar que as laranjas naquela embalagem não receberam nenhum tipo agrotóxico.

Essa agência é o que chamamos de “intermediário” nesse processo de confiança (e existem milhares delas). O relato dessa agência é a única garantia que João tem de que as laranjas compradas com aquele selo não irão causar uma reação alérgica. Mas João não tem acesso a todas as informações do processo, que pode ser, facilmente, manipulado. João compra laranjas um vez por semana mesmo assim, porque, infelizmente, não há uma forma mais segura de se garantir a veracidade das informações. Até agora.

Imagine agora que todo pacote de laranjas orgânicas traga, em sua embalagem, um código de barras, ou QR code, que pode ser lido pelo seu smartphone, te dando acesso a todo o histórico do processo pelo qual aquelas laranjas passaram, desde o plantio até o supermercado. Imagine que essas informações são armazenadas em um livro na rede, impossível de ser hackeado ou alterado sem que os outros saibam. Imagine poder realizar todos os tipos de transações, como comprar laranjas, sem o medo de se colocar em risco. Imagine como seria a experiência humana se nós pudéssemos confiar. Essa realidade já é possível, e se chama Blockchain.

Como funciona?

Diferente do modelo atual de validação de transações e registros, na tecnologia Blockchain as informações são armazenadas em blocos de dados sem a necessidade de um intermediário. Dentro de cada bloco, existe uma espécie de assinatura digital chamada hash, que funciona como uma impressão biométrica. O hash é a garantia criptográfica de que as informações desse bloco de dados não foram violadas.

 

Cada novo bloco, além de ter uma hash própria, traz consigo a hash do bloco anterior. Por isso o nome Blockchain, ou corrente de blocos, em português. Este processo, além de tornar as transações seguras, dificulta o trabalho de hackers. Já que, para conseguir invadir o sistema de blockchain, é necessário quebrar a criptografia de um bloco e do anterior, de forma sucessiva.

 

Em que o Blockchain pode ser usado?

 

A tecnologia tem ganhado espaço pelo seu uso nas moedas digitais, ou criptomoedas, como o Bitcoin, o Monero ou o Altcoin. Contudo, ela também pode ser usada de outras formas, como na validação de documentos, tais como contratos, transações imobiliárias ou troca de ações.

Atualmente, a ONU (Organização das Nações Unidas) usa o Blockchain da empresa Ethereum para a identificação de refugiados e o envio de vouchers para que eles possam retirar alimentos em acampamentos atendidos pelo Programa Alimentar Mundial (WFP – World Food Program). A iniciativa se chama Building Blocks e funciona da seguinte forma: a população atendida é identificada por biometria, e fica registrada de forma imutável na rede da Ethereum; cada pessoa recebe um cupom que pode ser trocado por alimentos posteriormente. No momento, a iniciativa está em operação no acampamento de Azraq, na Jordânia, que recebe cerca de 10 mil refugiados. A WFP atende mais de 80 milhões em 80 países do mundo e pretende expandir os usos de identificação baseada em blockchain para suas outras operações além de Azraq.

Outro exemplo é a empresa brasileira ‘Original My’, que oferece alguns outros serviços, como a prova de autenticidade de páginas na Internet. Utilizando-se de Blockchain, é possível atestar que um conteúdo esteve publicado em um site e, assim, se plagiado, ser utilizado para provas em processos judiciais. O sistema financeiro tradicional também já estuda formas de fazer o uso da tecnologia. Com ela, os bancos seriam capazes de adicionar mais camadas de segurança (hash) e, assim, evitar fraudes e ataques.

Além do sistema de bancos, existem também projetos para usar o blockchain para verificar a veracidade de votos em eleições digitais. A tecnologia seria usada para dar mais segurança, evitando fraude de voto duplicado.

Crédito imagem: Catalysts