10 tendências que mostram que investimentos e negócios de impacto vieram para ficar

Criado por Juliana Oliveira   |  Publicado em 19-07-2018

10 tendências que mostram que investimentos e negócios de impacto vieram para ficar

De acordo com artigo publicado no portal ICE (Inovação em Cidadania Empresarial), na primeira edição, 500 pessoas participaram das atividades do Fórum, que contou com 25 palestrantes internacionais e 60 brasileiros. Neste ano, o público presente foi de mais de mil pessoas, com seis palestrantes internacionais e 170 brasileiros.

“Vemos muito mais tipos de atores no ecossistema. Isso é uma vitória para quem acredita que é possível produzir capital com propósito”, afirmou Célia Cruz, diretora-executiva do ICE.

Um dos participantes do Fórum, o diretor-executivo do Global Steering Group for Impact Investment, Amit Bathia, prevê que o crescimento do campo, que movimenta US$ 114 bilhões no mundo, deve dobrar até 2020.

“Esse movimento está desencadeando uma nova revolução, construída não só em fantasias e desejos, como em 1988 e 1998 [revolução dos computadores e internet, respectivamente], mas firmada em realidade. É uma ideia simples, e ideias simples se tornam grandes movimentos”, disse Amit, em entrevista ao portal.

Segundo a publicação, durante o Fórum foi possível captar, ainda, inúmeras tendências que mostram que as finanças sociais e os negócios de impacto vieram para ficar. Listamos aqui cinco das dez tendências descritas pelo ICE.

1. Diversificação e ampliação do ecossistema

O portal constatou que, em 2014, ano em que foi realizado pela primeira vez no Brasil o Fórum de Finanças Sociais e Negócios de Impacto, havia poucos dados nacionais disponíveis sobre o campo e pouca gente atuando em torno do tema. Além do ecossistema ter aumentado desde então, outros ecossistemas se uniram ao campo. Hoje, já são cerca de 60 incubadoras e a Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec), novos fundos, mais de 70 professores e 44 universidades trabalhando com pesquisa e novos talentos.

Meio ambiente, empresas, governo, academia e a base da pirâmide se encontram hoje nesse campo, contribuindo para sua ampliação e enriquecimento pela via da diversidade e da atuação conjunta, tendo no horizonte o fomento desses negócios de impacto social. A conclusão do artigo, então, é de que, no Brasil, o campo está mesmo se ampliando em ritmo crescente.

2. Empresas buscam equilíbrio entre o capital e o impacto

De acordo com a publicação, cada vez mais as empresas estão falando sobre os impactos que geram. E cada vez menos parece opcional olhar ou não para o impacto.

“Estamos no momento exato de discutir sobre isso. Trabalho com grandes empresas e, desde o início do ano, estamos realizando uma pesquisa, a convite dos organizadores do Fórum, buscando entender como as empresas têm tratado esse tema”, disse Vivian Muniz, da PwC, em entrevista publicada pelo portal.

Ela citou a carta divulgada pelo CEO da BlackRock, Larry Fink, no início deste ano, informando aos empresários das maiores corporações do mundo que eles precisam contribuir para a sociedade se quiserem receber o apoio da empresa. Fink é um dos investidores mais influentes do mundo, e sua empresa administra mais de U$ 6 trilhões em investimentos, o que o torna um dos maiores investidores do mundo. “A sociedade está exigindo que as empresas, tanto públicas como privadas, tenham um propósito social”, escreveu ele. Isso mostra que os investidores não estão mais olhando apenas o resultado financeiro. Negócios que não têm impacto social podem não encontrar investimento no futuro.

3. Relação entre impacto e ODS

Outra grande tendência notada pelo ICE é a ligação entre impacto e os chamados Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) definidos pela ONU. Com capacidade de implementar, se adaptar rapidamente e inovar, os negócios de impacto social estão bem posicionados para encontrar novas soluções para alcançar os ODS em 2030, agenda universal que, dentre muitos desafios, busca erradicar a pobreza extrema e a fome no mundo.

Desde 2014, o SEBRAE inseriu em sua agenda estratégica a temática dos negócios de impacto social e ambiental como eixo estratégico de atendimento aos pequenos negócios. A entidade está empenhada em contribuir na geração de negócios com propósito e lucro, estimulando a base da pirâmide a ser sócia, parceira ou mesmo fornecedora de produtos e serviços para os negócios de impacto. Em parceria com o PNUD, o SEBRAE está implementando o Projeto INCLUIR – Fortalecimento dos Negócios Inclusivos e Sociais no Brasil, que reúne ações para apoiar os pequenos negócios no aumento da competitividade e na integração destes nas cadeias globais de valor.

4. Participação de institutos e fundações nessa agenda

Ainda segundo o artigo, o FIIMP (Fundações e Institutos de Impacto) reúne 22 fundações e institutos familiares, empresariais e independentes que realizam, em conjunto, ações e investimentos para o aprendizado nessa agenda. De acordo com a reportagem, investimento de impacto pode ser entendido como uma maneira de institutos e fundações de todos os tamanhos ajudarem organizações (com ou sem fins lucrativos) a obter o capital necessário para inovar, crescer e escalar soluções. Foi constatado, então, que a atuação de fundações e institutos vem fortalecer o campo com o olhar de apoio aos intermediários.

5. Investimento em formação de talentos e envolvimento da academia

A formação de talentos no Brasil para o campo é também uma tendência que reflete mudança e que foi notada pelo portal durante o Fórum. Escolas de administração e economia já inserem disciplinas sobre negócios de impacto em suas grades e há pesquisas em desenvolvimento. A Rede do Programa Academia, do ICE, iniciado em 2013, hoje já conta com mais de 70 professores de diferentes regiões do país, que atuam com temas de negócios de impacto e finanças sociais, seja no campo da pesquisa, docência e/ou extensão em instituições de ensino superior. A preparação e formação de jovens talentos para o campo, com uma mentalidade de negócios com propósito, vêm também se firmando com força nos últimos anos.

Leia a reportagem na íntegra, com outras cinco tendências listadas pelo portal ICE, no site http://ice.org.br/9867-2/.

Crédito foto: Site evento